
Open Banking para fintechs: funcionamento, benefícios e desafios

Seu cliente precisa sair da sua plataforma para resolver questões financeiras? Se sim, sua fintech talvez deixe oportunidades de conversão escaparem. Afinal, quanto mais etapas ocorrem fora do seu ambiente, maior a distância do usuário. Por outro lado, o Open Banking para fintechs ajuda a trazer esses processos para dentro da jornada da fintech.
Essa mudança acompanha a própria evolução do mercado financeiro. Dados e serviços, antes concentrados em instituições específicas, passaram a circular entre participantes do ecossistema.
Claro, com mais possibilidades de integração, fintechs podem reunir pagamentos, crédito e gestão em uma experiência mais completa, alinhada ao perfil dos clientes e ao modelo de negócio.
E os números sinalizam esse potencial: até junho de 2025, o Open Finance contribuiu para gerar R$ 31 bilhões em operações de crédito. Desse total, R$ 5,4 bilhões foram concedidos por fintechs a cerca de 6 milhões de clientes, segundo o Banco Central.
Então, quer entender o que está por trás dessa transformação? Continue conosco e saiba o que é Open Banking para fintechs, quais são os benefícios oferecidos e muito mais!
O que é Open Banking para fintechs?
É um sistema regulado pelo Banco Central que viabiliza o compartilhamento de dados, produtos e serviços financeiros entre instituições participantes, mediante autorização do cliente. A iniciativa facilita o acesso às informações financeiras e favorece o desenvolvimento de soluções mais personalizadas, além de estimular inovação e competitividade no mercado.
Ou seja, o Open Banking é como uma informação que deixa de ficar presa a uma única instituição. Esse conceito ganha mais sentido quando aplicado a uma situação específica.
Por exemplo, um cliente busca um empréstimo, mas encontra condições mais vantajosas em outra empresa. Com autorização, a fintech escolhida acessa o histórico financeiro compartilhado, analisa o perfil e pode apresentar uma proposta de crédito mais adequada às suas características.
A partir desse acesso, é possível:
- consultar o histórico financeiro compartilhado;
- avaliar informações sobre o comportamento financeiro do cliente;
- considerar esses dados na análise de crédito;
- estruturar uma oferta de empréstimo compatível com os critérios da operação.
Porém, mesmo nesse processo, o acesso não é irrestrito: a fintech consulta somente os dados liberados pelo cliente, dentro da finalidade e do período definidos no consentimento.
Mas como esse compartilhamento acontece? É o que veremos a seguir.
Leia também: Entenda o que é uma fintech de Open Banking! [Guia completo]
Como funciona o Open Banking para fintechs?
Separamos o processo em quatro etapas:
- O cliente escolhe a fintech: busca uma solução financeira em uma plataforma diferente daquela que concentra seus dados;
- Autoriza o compartilhamento: escolhe quais detalhes deseja compartilhar e com qual instituição;
- A fintech consulta o histórico autorizado: recebe os registros da instituição de origem e analisa informações por meio das APIs padronizadas;
- A solução é adequada ao perfil: com mais contexto sobre o cliente, a fintech pode estruturar uma oferta financeira compatível com suas demandas.
Em outras palavras, com o histórico cedido, a fintech conhece o usuário antes mesmo de iniciar um novo relacionamento comercial. É como receber a indicação de alguém por um amigo em comum, em vez de começar um relacionamento sem nenhuma referência. No primeiro caso, você já tem informações sobre aquela pessoa e não parte do zero.
Além disso, o compartilhamento de dados abre espaço para uma experiência menos dependente de um único banco. O cliente pode, por exemplo, realizar determinadas operações financeiras por outra plataforma, sem precisar acessar exclusivamente o aplicativo ou internet banking da instituição em que usa sua conta.
Quer entender melhor esse movimento? Dê o play no vídeo e acompanhe uma explicação prática sobre como funciona o Open Banking para fintechs!
E, claro, não dá para compreender completamente esse funcionamento sem descobrir os objetivos por trás desse modelo.
Quais são os objetivos do Open Banking?
A iniciativa busca estimular a inovação em produtos e serviços financeiros, aumentar a transparência e promover mais eficiência e competitividade no sistema financeiro, segundo o Banco Central. Esse ambiente favorece a criação de novas soluções, capazes de atender melhor às necessidades dos clientes e gerar oportunidades de negócio.
Agora que você viu os objetivos do Open Banking, saiba como essa estrutura pode impactar a operação das fintechs.
Aproveite e leia também: “Oportunidades do Open Banking: as 4 que mais se destacam para o mercado financeiro e empresas do setor”
Quais são os benefícios do Open Banking para fintechs?
As principais vantagens são ter:
- Decisões menos dependentes de informações fragmentadas: dados financeiros autorizados oferecem uma visão mais completa do perfil do cliente;
- Menos etapas e retrabalho na operação: a integração de informações pode agilizar processos financeiros;
- Menor risco de perder clientes para plataformas concorrentes: uma oferta mais completa reduz a necessidade de buscar outras empresas para atender demandas financeiras;
- Mais alternativas para gerar receita: novos produtos e serviços financeiros ajudam a limitar a dependência de uma mesma fonte de faturamento.
Na operação de um negócio, essas vantagens aparecem em situações como estas:
| Situação na fintech | Aplicação do Open Banking | Resultado para o negócio |
| Cliente solicita crédito pela plataforma | Dados financeiros autorizados ajudam a complementar as informações usadas na análise. | A empresa agrupa mais elementos para avaliar o pedido antes de definir a oferta. |
| Cliente precisa sair da plataforma para pagar | Recursos de iniciação de pagamentos podem ser incorporados à jornada digital. | A fintech mitiga etapas externas e concentra mais da experiência em seu próprio ambiente. |
| Cliente utiliza serviços financeiros de diferentes empresas | Dados e serviços de variadas instituições podem ser integrados à experiência da fintech, conforme as autorizações e regras aplicáveis. | A plataforma consegue reunir mais recursos financeiros em uma única jornada. |
| Fintech busca novas fontes de receita | A empresa pode incorporar produtos financeiros compatíveis com seu modelo de negócio e sua base de clientes. | Novas ofertas criam oportunidades de monetização além da atividade principal. |
As vantagens ajudam a dimensionar o potencial do Open Banking, mas a decisão de adotá-lo também exige olhar para os desafios que acompanham essa estrutura.
Leia também: “Regulamentação do Open Banking: quais oportunidades de crescimento gera para a sua empresa?”
Quais são as desvantagens do Open Banking para fintechs?
O modelo traz alguns pontos de atenção. Os principais estão ligados à segurança dos dados, às exigências regulatórias, à integração tecnológica e à adesão dos clientes:
- Segurança dos dados: exige controles rigorosos e conformidade com a LGPD;
- Exigências regulatórias: requer acompanhamento das normas do Banco Central e das regras de consentimento;
- Integração tecnológica: pode demandar investimentos em infraestrutura e aumentar custos de implementação;
- Adesão dos clientes: preocupações com privacidade podem dificultar o compartilhamento de dados.
Cada um desses desafios afeta uma parte diferente da operação. Entenda o que está envolvido em cada ponto!
1. Segurança dos dados
O compartilhamento de informações financeiras necessita de estratégias específicas para proteger os dados dos clientes durante todo o processo.
Por exemplo, bancos, fintechs e demais participantes devem adotar mecanismos que reduzam riscos de vazamento, acesso indevido e uso inadequado das informações, em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
2. Exigências regulatórias
A participação no ecossistema também está sujeita às normas do Banco Central e às regras de consentimento. Logo, as instituições precisam controlar as autorizações concedidas pelos clientes, inclusive ao interromper o acesso aos dados quando o consentimento for revogado.
3. Integração tecnológica
Cada instituição pode operar com sistemas próprios, mas o compartilhamento exige padrões tecnológicos comuns para conectar diferentes estruturas. A adequação pode gerar custos com infraestrutura, desenvolvimento e integração, especialmente para participantes com menor capacidade tecnológica.
4. Adesão dos clientes
Apenas a segurança técnica não garante a adesão ao modelo. Afinal, clientes podem hesitar em compartilhar informações financeiras por receio de perder o controle sobre seus dados ou sofrer algum tipo de exposição.
Por esse motivo, instituições devem comunicar com transparência como o compartilhamento funciona, quais dados serão acessados e como o consentimento pode ser revogado.
Todos esses obstáculos estão ligados à maneira como os dados circulam entre as instituições. Sendo assim, entender como essa troca acontece é fundamental para compreender as responsabilidades de cada participante e os limites de acesso às informações.
Leia também: Entenda os impactos do Open Banking para empresas
Como é feito o compartilhamento dos dados e informações no Open Banking para fintechs?
O compartilhamento ocorre por meio de APIs (Application Programming Interface):
- Cliente autoriza: define quais dados deseja compartilhar e concede o consentimento;
- Instituições se comunicam: as APIs fazem a conexão entre a instituição que possui os dados e a fintech que receberá as informações;
- Dados são transmitidos: a plataforma financeira acessa somente as informações incluídas na autorização do cliente;
- Fintech utiliza os dados: as informações compartilhadas podem subsidiar a análise do perfil e o desenvolvimento de produtos e serviços financeiros.
Qual é o papel das APIs nesse compartilhamento?
As APIs estabelecem regras de comunicação para que diferentes sistemas peçam, enviem e recebam informações de forma compatível ao seguir padrões que organizam a solicitação, a transmissão e o recebimento das informações autorizadas pelo cliente. No Open Banking, essa comunicação uniformizada viabiliza o compartilhamento seguro de dados entre diferentes instituições.
É como duas empresas que usam sistemas diferentes, mas utilizam uma linguagem comum para se comunicar: cada uma opera à sua maneira, mas ambas conseguem trocar informações de modo estruturado. No Open Banking, as APIs permitem que instituições com estruturas tecnológicas distintas participem de um mesmo ecossistema de compartilhamento.
Porém, não se preocupe, essa uniformização não determina o que cada fintech deve oferecer. O Nubank, por exemplo, desenvolve suas próprias soluções financeiras e usa dados compartilhados via Open Finance em funcionalidades como alertas quando uma conta do cliente em outra instituição entra no cheque especial.
E não pense que a autonomia das instituições impediu a evolução do ecossistema. Desde a implementação inicial, novos recursos foram incorporados, especialmente em pagamentos, crédito e experiência do cliente.
Leia também:
- O que é API Open Banking? Como funciona a tecnologia por trás dessa aplicação?
- O que é open finance? Qual o impacto na economia brasileira?
Como o Open Banking evoluiu até 2026?
Até 2026, o Open Banking incorporou novas formas de pagamento, como Pix por aproximação e iniciação sem redirecionamento, além da portabilidade de crédito. O ecossistema também alcançou 103 milhões de autorizações ativas e 68 milhões de contas, segundo o Banco Central, o que consolida novas possibilidades de uso.
Para entender melhor, abaixo, confira em detalhes os principais marcos do Open Banking até 2026:
| Marco | O que mudou | Impacto para fintechs |
| Iniciação de pagamentos sem redirecionamento — abril de 2025 | O cliente pode iniciar um pagamento sem precisar sair do ambiente em que efetua a operação. | Facilita jornadas de pagamento mais integradas dentro de aplicativos e plataformas digitais. |
| Pix por aproximação — 2025 | O Pix por aproximação foi incorporado ao ecossistema Open Finance, o que viabiliza iniciar pagamentos por aproximação com dispositivos compatíveis. | Cria novas possibilidades para integrar pagamentos por aproximação às experiências digitais e presenciais. |
| Portabilidade de crédito pelo Open Finance — 2025/2026 | O Banco Central regulamentou a portabilidade de crédito pelo Open Finance, a começar pelo crédito pessoal sem garantia e com previsão de expansão para outras modalidades. | Facilita a transferência de operações de crédito entre instituições e aumenta a disputa por clientes. |
| Atualização dos manuais técnicos — julho de 2026 | O Banco Central publicou novas versões dos manuais do Open Finance, com mudanças no escopo de dados e serviços e na experiência do cliente. | Mantém os padrões técnicos do ecossistema atualizados para acompanhar a evolução dos serviços. |
Com tantas mudanças desde o lançamento, algumas questões sobre o funcionamento do sistema continuam importantes para quem participa desse ecossistema. Vale, então, esclarecer as dúvidas mais comuns sobre Open Banking.
Quais são as principais dúvidas sobre o que é Open Banking?
Os questionamentos mais frequentes envolvem adesão, compartilhamento de dados, segurança e controle das informações financeiras concedidas. Também é importante entender quais dados podem circular, quem autoriza o acesso, por quanto tempo o consentimento permanece válido, como ocorre o compartilhamento e quais responsabilidades cabem às instituições participantes.
Para responder esses pontos, reunimos as principais perguntas sobre o assunto:
| Dúvida sobre Open Banking | Resposta |
| A adesão é obrigatória para clientes? | Não. O compartilhamento depende do consentimento do cliente, que também pode revogá-lo. |
| Quais dados podem ser compartilhados? | Dados cadastrais, informações de contas e transações, cartões e operações de crédito, de acordo com as regras do Open Finance. |
| Quem escolhe os dados compartilhados? | O cliente define quais informações deseja compartilhar, com qual instituição e por quanto tempo. |
| O compartilhamento é seguro? | Sim, desde que realizado dentro das regras do Open Finance e dos requisitos de segurança e proteção de dados. |
| Quais são os principais riscos? | Vazamentos e uso inadequado das informações são pontos de atenção, por esse motivo, as instituições devem adotar medidas de segurança e proteção de dados. |
As dúvidas não terminam por aqui. Então, para aprofundar o tema, confira também os desafios que adotar uma API de Open Banking traz para as instituições participantes.
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- Pagamentos e segurança: como deixar a sua empresa e clientes mais seguros?
Qual é o desafio de implementar uma API de Open Banking?
O principal desafio depende do porte da instituição, de acordo com Rodrigo Miranda, CTO e Cofundador da Zoop. Grandes bancos tendem a desenvolver suas próprias APIs de Open Banking, enquanto participantes menores podem recorrer a parcerias com fintechs para simplificar a adequação tecnológica e operacional.
Essa diferença de estrutura também afeta a capacidade de competir no sistema de Open Banking para fintechs, já que recursos tecnológicos e parcerias podem influenciar a oferta aos clientes.
Como o sistema de Open Banking para fintechs pode aumentar a competitividade?
A competitividade aumenta à medida que as instituições oferecem soluções mais completas, simples, desburocratizadas e acessíveis. Logo, para Rodrigo Miranda, CTO e Cofundador da Zoop, tende a se destacar quem entende as necessidades dos clientes e desenvolve produtos que resolvem problemas reais, com uma oferta mais abrangente e custos menores.
Essa disputa por propostas mais relevantes também coloca a plataforma de Open Banking no centro da criação de novos produtos financeiros.
Como uma plataforma de Open Banking pode estimular novas soluções financeiras?
É possível estimular novas soluções ao facilitar o acesso a informações financeiras compartilhadas e revelar novas necessidades dos consumidores. Segundo Rodrigo Miranda, CTO e Cofundador da Zoop, a maior adesão ao compartilhamento pode levar as empresas a aprimorar produtos existentes e criar ofertas para demandas ainda não atendidas.
E para colocar essa capacidade de inovação em prática, a fintech precisa de uma infraestrutura financeira que acompanhe sua estratégia.
Leve o Open Banking para a estratégia da sua fintech
Como visto, quando o cliente precisa deixar sua plataforma para buscar crédito, fazer um pagamento ou resolver outra demanda financeira, sua empresa perde parte dessa jornada. Nesse sentido, o Open Banking para fintechs ajuda a trazer esses serviços para mais perto da experiência que você já oferece, mas a integração depende de uma estrutura financeira adequada ao negócio.
A Zoop oferece essa infraestrutura para empresas que querem incorporar serviços financeiros à própria operação. Dessa forma, você não limita sua fintech a uma única solução financeira e pode criar experiências mais completas sem precisar construir toda essa estrutura do zero.
O objetivo da Zoop é ajudar a concentrar mais operações no seu ambiente, reduzir a dependência de múltiplos fornecedores e criar novas formas de atender a base de clientes e gerar receita.
Então, quer avaliar o que sua empresa pode incorporar à própria operação? Fale com um especialista da Zoop e descubra quais soluções podem fazer sentido para o seu modelo de negócio. Preencha o formulário e converse com quem entende de infraestrutura financeira!
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